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Notícia inserida em 30/03/2009 às 15:03 |
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| " RELIGIÃO: A FÉ QUE DIVIDE - Texto De Fabrício Lopes Ferreira " |
(CRÔNICA QUE RECEBEU O PREMIO DE “HONRA AO MÉRITO”, NO 1º CONCURSO LITERÁRIO “TRINDADE EM PROSA E VERSO”, em março de 2009)
RELIGIÃO: A FÉ QUE DIVIDE
Fabrício Lopes Ferreira
aluno do 3º ano, ensino médio
Colégio Divino Pai Eterno – Trindade, Goiás
professora: Marta Maria Miranda
Trindade não foi uma cidade planejada. Está situada próxima à Capital de Goiás, Goiânia. Sua construção está totalmente fundamentada na fé católica romana.
Conta-se que no ano de 1840, o senhor Constantino Xavier e sua esposa Ana Rosa encontraram um medalhão de barro contendo a imagem da Santíssima Trindade. Extremamente religiosos, passaram a rezar o terço diariamente em sua casa. Não demorou muito para que a notícia do medalhão se espalhasse e cada vez mais pessoas viessem rezar diante da imagem milagrosa. O povoado do Barro Preto, que não parava de crescer, recebeu o nome de Trindade.
Atualmente, a cidade tem uma população estimada em cerca de 100.000 habitantes. Sem dúvida, é um município que caminha a largos passos rumo ao progresso, onde saúde, educação, segurança e moradia não representam grandes polêmicas. Certamente, o maior problema fica por conta da religiosidade dos moradores da cidade, que é conhecida como a capital da fé.
O número de evangélicos em Trindade teve crescimento acentuado e representa grande parcela da população trindadense. Sabe-se que a doutrina religiosa evangélica e a católica diferem em vários pontos. Um deles é a simbologia usada pelos católicos, como, por exemplo, os santos e imagens que podem ser encontrados por toda a cidade. Por não acreditarem nessa simbologia, os evangélicos contestam e criticam o uso de imagens espalhadas pela mesma. A iniciativa de se construir um portal na entrada do município com a imagem da cúpula da Basílica do Divino Pai Eterno, deu ainda mais vigor a essa discussão.
O fato é que a maioria dos municípios possui um museu para lembrar sua história. No entanto, Trindade é o seu próprio museu. A igreja matriz, o cruzeiro, as imagens, entre outras, relatam a história da cidade e fazem dela um grande museu ao ar livre. Independentemente do futuro, o passado é inegável e imutável. Trindade originou-se da fé e continua ligada a ela em vários pontos: cultural, social, econômico, etc. Mudar isso é praticamente impossível.
Sem dúvida, a melhor solução para esse problema não é a retirada das imagens das ruas, como planeja um pastor evangélico e, sim, a conscientização de que elas representam a história de Trindade, e não apenas uma disputa entre religiões.
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