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Notícia inserida em 29/03/2009 às 09:03 |
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| " Crônica Vencedora - "UM DIA DE LEMBRANÇAS " - Aluna Amanda Jaquellyne Barbosa Pinto " |
(CRÔNICA VENCEDORA DO 1º CONCURSO LITERÁRIO “TRINDADE EM PROSA E VERSO”)
UM DIA DE LEMBRANÇAS
Amanda Jaquelynne Barbosa Pinto
aluna do 8º ano
Colégio Estadual Castelo Branco - Trindade, Goiás
Professora: Iara Alves Fernandes
Hoje eu parei para relembrar os meus dias de criança. Que bom! Naquela época, brincava a manhã inteira com minhas bonecas de sabugo de milho e animais de caroço de manga. Era mágico brincar às margens do córrego Barro Preto, de águas cristalinas, diferente de hoje, que serve de depósito de dejetos humanos. Mas logo minha mãe gritava:
- Lúcia, vai levar o cumê pro teu pai, menina!
E lá ia eu levar a comida pro meu pai. Passava por ruas de puro barro ou poeira, olhava pra um lado e pro outro. Havia muitos pastos. As casas pintadas eram de pessoas ricas.
Eu estudava em escola de freiras. Minha educação era excelente, em vista de hoje, pois na escola não podia fazer nada de bagunça. Se fizesse, ficava de joelhos nos milhos em um canto da sala. E os beliscões, então? Como doía! Ah! eu via minhas colegas levando a palmatória, doía até em mim. Não tinha isso de meninos e meninas estudarem juntos. Era cada um em uma escola.
Pra casar era tão rápido, que eu conheci um rapaz e depois de cinco dias ele já pediu a meu pai pra casar comigo. Meu pai deixou, e eu me casei uma semana depois.
Era tão bom! Os padeiros passavam de madrugada e deixavam o pão no preguinho da porta.
Os trabalhos eram quase todos na roça. Eu era do lar. Ficava vendo minha casinha de pau-a-pique – casa de estrume de vaca e barro – que foi feita com tanto capricho.
No meu namoro, era longe um do outro. Meu namorado teve que roubar um beijo meu. Diferente de hoje, que podemos ver a liberdade entre os namorados e o tanto de mães solteiras.
Mas a coisa pior que aconteceu, foi a perda de minha mãe nos meus doze anos. Naqueles dias foi um sofrimento grande, mas consegui superar isso!
As comidas que aprendi a fazer com minha mãe eram tão deliciosas! Hum!... Eu fazia as coisas com muita fartura. Dava pra comer muitos dias.
Ah! Naquela época, nem se falava em televisão. Então, nosso divertimento era o gramofone – objeto que tocava discos de vinil. Aquilo era bom, mas o melhor era ficar curtindo a família e participarmos das celebrações que eram uma vez por semana. Tudo isso se transformou, pois foram construídas outras igrejas e as celebrações se multiplicaram. Agora, são realizadas de hora em hora. Mas o orgulho de todos os trindadenses é a Basílica do Divino Pai Eterno, que é conhecida mundialmente como Basílica menor. Assim, muitas pessoas vêm de carro de boi e até mesmo a pé, pagando suas promessas.
- Vovó, vamos, mamãe tá te esperando; chegaremos atrasadas pra missa.
E assim, pude ver que tudo mudou, embora em minhas lembranças nada vai passar...
(O texto acima foi produzido baseado em informações obtidas em uma entrevista com Luiza Grecco Torelle, 89 anos, do lar e moradora de Trindade desde 1910.)
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