Ao Sul
Vamos surfando
Como surfistas apaixonados
Nas ondas do destino...
Desse tino
Que martela os ouvidos
A consciência
E nos empurra
Pela maré do acaso.
Ao Norte
Os caminhos que norteiam
O pensamento
O vento
Ou a tempestade
São os mesmos...
Rotas de prazer e veleidade
Virtude ou sacramento
Tanto ao Sul como ao Norte
Estamos entregues às vicissitudes
Da sorte.
Ao Oeste
O novo se vislumbra
A aventura clama
Como chama
No peito dos navegantes
Piratas, conquistadores
Exploradores
Ou meros comerciantes...
Lumbriegos de um tempo novo
Arrastado para o povo
À orla do mar.
Malvado
Ou marvado caminho
Que o novo no velho
Veio dar.
Ao Leste
Que nos oriente
O Oriente balido
Nas pegadas do passado
Nas histórias do fracassado
Ou no sucesso do vencido...
Retorno necessário
Ao ponto demarcado
Das origens
Dos traços e retraços
Que se perdem
No mapa do amor
Ou na cartografia da dor.
Geografia estranha de uma vida
Ou geografia de uma vida estranha...
Velhas e novas experiências
Saliências
Turbulências
Planificadas na depressão
Do ser. |