Os ponteiros do relógio não andavam...
Tic-Tac!
Tic-Tac!
Onze e meia da noite...
Tic-Tac!
Tic-Tac!
Só escuto o Tic-Tac!
Estou preso ao Tic-Tac!
Sessenta segundos compõe um minuto.
Sessenta minutos compõe uma hora.
Horas compõe o meu dia.
Meu dia não se compõe em horas,
Mas em problemas.
Tic-Tac!
Tic-Tac!
Já é novo dia, mas continuo o mesmo,
Não mudei nas doze badaladas.
Tic-Tac!
Tento dormir e Tic-Tac!
Tento sonhar e Tic-Tac!
Tento acordar e quando acordo,
Ouço o som do Tic-Tac!
Tic-Tac de manhã!
Tic-Tac à tarde!
Tic-Tac à noite!
Nada o acalmava!
E ele vai cumprindo a sua dolorosa missão,
De espalhar pela casa o seu mórbido ruído.
Tic-Tac!
Tic-Tac!
Às vezes penso que estou preso ao Tic-Tac!
Mas ele se renova em outro Tic-Tac!
Tic... Tac!
Tic... ... Tac!
Ele dá sinais de impotência!
Ele dá sinais de cansaço!
Tic...
Ouço tristemente e uma pausa se dá.
Tac...
E as pausas vão se prolongando,
Até o glorioso momento do Tic-Tac acabar!
O relógio parou exatamente à uma hora da manhã.
O Tic-Tac transcendeu o relógio e invadiu a minha cabeça,
Onde nela sua orquestra desarmônica faz o meu martírio!
Agora o Tic-Tac está em mim!
Vou ao banheiro e escuto o Tic-Tac!
Como escutando o Tic-Tac!
As horas não passam!
E agora sem relógio,
O meu desespero aumentava,
Ao som do Tic-Tac!
Meu Tic-Tac!
Meu!
Comprei uma pilha!
Renovou-se!
Revitalizou-se!
O Tic-Tac agora era estridente e potente!
Tic-Tac!
Tic-Tac!
Parecia um trem de ferro de tamanho Tic-Tac!
A orquestra desarmônica,
Desarmonizou a minha cabeça.
O relógio cerebral não acompanhou
O Tic-Tac do relógio material!
Agora o escuto assim:
Tic-Tic-Tac-Tac!
Tic-Tic-Tac-Tac!
Enlouqueci!
Enlouqueci!
Tamanho era o Tic-Tac!
O Tic-Tac e o seu eco!
Durmo escutando o Tic-Tac!
E sonho que sou um relógio.
No Tic-Tac da vida,
Tictacteou assim que o relógio existiria,
E nos controlaria.
Seja no Tic-Tac da vida!
Ou no silêncio da morte!
30/01/2004 |