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O Tapete Do Poder
Rildo Bento de Souza
 

E de repente tudo muda!

O povo sai do anonimato!

Nunca é tão valorizado!

Nos comovemos!

Nosso país vai mudar!

Nosso estado vai mudar!

Nossa cidade vai mudar!

Até que enfim vai mudar!

Porém, nós não tiramos conclusões,

Somos induzidos a elas.

Quanto vale o poder?

Quanto vale?

Vale menos que um pingo de vergonha na cara,

E mais que um pouco de caráter?

Mas o que é um pingo de vergonha na cara,

E um pouco de caráter,

Mediante o poder do povo?

E o povo não fede!

Eles apertam a nossa mão!

Nos abraçam!

Dizem que tudo vai mudar!

Que compensa ter esperança!

E de quatro em quatro anos é uma disputa!

Sou disputado!

Desejado!

Cobiçado!

No meio de uma guerra de palavras nos sentimos perdidos!

As promessas se tornam hábito,

Como comer, ou cagar, ou desviar, ou se corromper.

E nesse emaranhado de sensações a gente vibra,

A gente aplaude!

A gente ainda se agarra àquele último fio de esperança!

Seja naquele santinho com aquele cara rindo!

Naqueles adesivos coloridos!

Naquelas bandeiras a balançarem-se ao vento!

Naqueles carros de som estridentes!

Quanto dinheiro!

Quanto dinheiro meu Deus!

E tudo por causa do poder!

O povo que é induzido a pensar,

Deixa de pensar.

Esquece que é democracia,

Que é maioria,

Que é gente,

E não uma máquina comprável de votos.

O povo se esquece...

Ora, mas se esquecem até do povo.

E de repente tudo fica calmo.

Calado!

Apático!

Logo o povo é varrido pra debaixo do tapete do poder.

E de repente, não mais que de repente,

O povo é tirado do descaso!

É venerado!

É agraciado!

Bem, mas já se passaram quatro anos mesmo.

 

 

09/08/2002

 
 
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