Hoje nada sou!
Sou apenas verso não declamado
Da poesia que não foi escrita.
Portanto, nada sou!
Se não sou o que faço da vida poesia,
Me tornaria um falso poeta a escrever ironias.
Prefiro ser esse triste anonimato
Que nada para si requer de glamour.
Apenas prefiro ser um falso poeta, a um poeta falso.
Hoje sem a poesia não sou nada,
Sou o vazio impregnado na alma.
Sou a entrega antecipada dos seus tormentos.
Não sou o seu pensamento, sou a conseqüência dele!
Não sou deste modo, o portador da poesia verdadeira.
O que sou então?
Sou apenas fragmentos inacabados de inspiração!
Sou vítima maior da incompreensão!
Sou poeta que traz consigo a poesia ultrapassada,
Que você pega, acaricia, lê, suspira,
E depois joga fora na fornalha do esquecimento.
23/10/2003 |