(Discurso de recepção aos novos Sócios Efetivos da ATLECA proferido em 30 de janeiro de 2010)
A Academia Trindadense de Letras, Ciências e Artes nasceu sob a égide da juventude estudiosa e idealista representada por de seu fundador, Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado, universitário do curso de Língua Portuguesa. Aos 20 anos de idade, Bento, jovem de visão, sonhou criar uma Academia de Letras na terra que escolheu como sua, para viver e trabalhar.
Do sonho, o jovem Bento passou à ação. Como se sabe, a “ação sem visão é diversão, visão sem ação é sonho, visão com ação é receita de sucesso”. Assim, talvez sem saber, ele colocava em prática a teoria de Fred Polak, renomado intelectual holandês de Amsterdã (1907-1985), autor da obra clássica A imagem do futuro.
Bento, o jovem visionário, trazia do berço fortalecido lastro, carregando na sua ancestralidade uma árvore genealógica cujos troncos e ramos deram a Goiás homens e mulheres de talento, na prosa, na poesia, nas artes em geral. Daí, certamente, herdou o idealismo e o pendor para os estudos literários.
Não bastasse a idealização, a criação e a institucionalização da Academia Trindadense de Letras, Ciências e Artes que, em 2010, completa 20 anos, seu fundador foi, também, o Diretor/fundador da Biblioteca Pública, do Museu da Memória e do Arquivo Público de Trindade, cidade reconhecida, singularizada e consagrada como a Capital da Fé.
Possivelmente, dos fundadores de Academias de Letras, no Brasil, o professor e literato Bento seja o mais novo de quantos plantaram instituições devotadas à agremiação de homens e mulheres antenados na produção acadêmica de bens culturais e na disseminação e preservação de valores e tradições. Para exemplificar, lembremo-nos da Academia Brasileira de Letras que, no alvorecer da República, foi idealizada por Medeiros e Albuquerque. Esse jornalista e memorialista, então com 30 anos de idade, não conseguiria concretizar seu intento, pois enganou-se ao pleitear a vinculação da Academia à esfera governamental. Lúcio de Mendonça, também jornalista, poeta, romancista e advogado viria a fundar a Academia sem tentar liames com o poder público por entender que a instituição deveria surgir e se manter na iniciativa privada. Lúcio de Mendonça, o verdadeiro fundador da Academia Brasileira de Letras, chamado o “Pai da Academia”, já estava com 42 anos de idade quando conseguiu concretizar o antigo sonho de Medeiros e Albuquerque. Este, por sua vez, intitulava-se a si mesmo como o “Avô da Academia Brasileira de Letras”, obsevada a antiguidade da ideia.
No nosso Estado, a Academia Goiana de Letras surgiu pela ação de vários intelectuais, um deles, Vasco dos Reis estava com 38 anos de idade; outro co-fundador, Elpenor Augusto de Oliveira, tinha 46 anos. Coincidentemente, ambos eram médicos e poetas.
Bento Alves Araújo, como Lúcio de Mendonça, teve a sabedoria de trazer para o seio da Academia Trindadense pessoas com vivência e maturidade intelectual. Assim, agremiar-se-iam literatos, historiadores, artistas plásticos, musicistas, cultores da ciência, constituindo um conjunto de homens e mulheres voltados para o estudo e a pesquisa das letras, das ciências e das artes.
Com avanços e recuos, com vitórias e algumas decepções, ensaios e erros, vencendo barreiras, a Academia Trindadense de Letras, Ciências e Artes vem construindo uma história de realizações. Aliás, sobre a constituição das Academias como entidades culturais, a historiadora Lena Castello Branco nas páginas de Perfil Cultural, órgão oficial de divulgação literária, artística e científica da Academia Belavistense de Letras, Artes e Ciências, diz que as Academias, no Brasil, congregam “homens e mulheres que se notabilizam entre seus pares, constituindo-se em parcela significativa e respeitada da sociedade brasileira” (2005, p.29). O sodalício trindadense não foge à regra.
É certo que o homem sozinho não faz a obra. Esta é fruto do empenho e da colaboração de tantos Sócios que, juntando forças, batalham pelo prosseguimento dessa caminhada que já perdura por duas décadas. Parabéns, ATLECA.
Na solenidade desta memorável noite de 30 de janeiro de 2010, novos Sócios Efetivos tomam posse, trazendo para esta Academia o vigor e o ideal da juventude. Seus nomes: Antônio Erasmo Queiroz Chaveiro, patroneado pelo poeta trindadense Arleno Mendanha, ocupará a cadeira n. 25. Eguimar Felício Chaveiro, da cadeira n.28, patronímica da escritora Maria Paula Fleury de Godoy. Elton Rosa de Souza, cuja Patrona é a professora trindadense Nila Chaves Roriz de Almeida, ocupará a cadeira de número 11. Wildes Jesus Rodrigues, da cadeira n. 29, tem como Patrono o magistrado Heitor de Morais Fleury.
Antonio Erasmo Queiroz Chaveiro reside em Trindade, é graduado em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás onde, também, pós-graduou-se em Assessoria de Comunicação. No campo profissional é repórter, fotógrafo e diretor de redação de empresas de jornais impressos. É jornalista e pesquisador para vídeos, documentários e livros didáticos. Diretor de Redação do periódico “Cidade Agora”, veiculado em Trindade. Tem colaborado, na área de sua formação, nos seguintes veículos da mídia:
Cidade Agora, Diário da Manhã, Jornal da Cultura, Trindade FM 87,9, Revista Visão Crítica, entre outros. Polivalente, inclui no seu “curriculum vitae” a atividade de professor de Língua Portuguesa. É assessor de imprensa de a “Grande Caminhada da Fé”, nas edições dos anos de 2008 e 2009. Desde os 14 anos de idade dedica-se à música, tendo uma banda de pop rock.
Eguimar Felício Chaveiro é graduado, com Licenciatura em Geografia, Mestre em Educação e Doutor em Geografia Humana, título obtido na Universidade de São Paulo, após defender tese sob o título “Goiânia: uma metrópole em travessia”, elaborada sob a orientação do Prof. Dr. Francisco Capuano Scarlato. Sua dissertação de Mestrado intitula-se “O ensino da Geografia da UFG e o desenvolvimento do pensar geográfico” e teve a orientação do Prof. Dr. José Carlos Libâneo, reconhecido nacionalmente como um dos expoentes do pensamento didático brasileiro.
O professor Dr. Eguimar é professor e pesquisador do Instituto de Estudos Sócio-Ambientais da Universidade Federal de Goiás, ocupando o cargo de Professor Adjunto. Sua linha de pesquisa está centrada em ciências ambientais. Tem 27 (vinte e sete) artigos publicados em periódicos, um deles, em co-autoria, intitula-se “Trindade e o ‘abraço ingrato’ da metrópole: uma análise sócio-territorial de Trindade” (2008). Afora capítulos de livros e obras das quais é o organizador, são de sua autoria: “Goiânia, travessias sociais e paisagens cindidas” (2007); “A vida é um engenho de passagens” (2005) e, em co-autoria, “A dinâmica demográfica de Goiás” (2009).
Elton Rosa de Souza é goiano da Capital. Tem formação superior em Criação e Produção Publicitária; frequentou, ainda, nove cursos de complementação. Suas atividades profissionais concentram-se na área de sua formação, ou seja: direção de arte, produção gráfica, mídia impressa, rádio e web, redação publicitária e editoração eletrônica. Assim, o ora empossando Elton Rosa de Souza tem exercido ao longo de sua carreira as funções de arte finalista, diagramador, instrutor de curso de computação gráfica, diretor de arte e criação; é responsável pela produção de mídia impressa.
Se arguido sobre suas atividades, certamente, responderá: sou publicitário, diretor de arte, músico, compositor, ator e incentivador cultural. A isso, acrescenta-se a participação no Grupo Desencanto de Teatro, como ator, cenógrafo, membro do coral “Arte em Canto” e responsável pela produção de mídias e divulgação do Grupo. Tocou por vários anos na Bateria da Escola de Samba Acadêmicos de Trindade. Há oito anos, participa da Banda Musical “Base Central”. No rol das iniciativas de criação incluem-se a fundação do “Jornal da Cultura”, em Trindade, a “Layout Comunicação & Arte”, o “Raio Rock” em parceria com “Você é uma Árvore Produções”. Prestou serviços para os jornais Cidade Agora, O Comunitário, Gazeta Centro-Oeste, Revista Visão Crítica, Jornal da Família, Jornal da Abba-Pai, Tribuna dos Municípios e Jornal do Músico. É sonoplasta de a “Caminhada da Fé – Vida, paixão e morte de Cristo”. Elton Rosa de Souza, publicitário, músico e ator reside em Trindade.
Wildes Jesus Rodrigues é natural de Trindade onde reside e exerce o magistério no Colégio Divino Padre Eterno na qualidade de professor de nível II. É bacharel e Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Goiás. Apresentou e defendeu a dissertação sob o tema: “Trindade e o abraço ingrato da Metrópole: uma análise sócio-territorial de Trindade II”. Sua área de especialização é a de Geografia Urbana, Geografia Política e Geografia Agrária. Pelo “curriculum vitae” apresentado à Academia Trindadense, a temática de sua atuação volta-se para temas ligados a fragmentação, assentamento, território, planejamento urbano, meio ambiente, ensino e desenvolvimento. Sob orientação do Professor Dr. Eguimar Felício Chaveiro, elaborou trabalho monográfico no tema da dissertação apresentado durante o curso de Mestrado. Na Universidade de Brasília realizou o curso “Educação Africanidades Brasil”. Tem trabalhos publicados em Anais sob os títulos: O sistema de produção agrícola do pré-assentamento de Canudos, Parcelamento de terras e produtividade no assentamento Che, Crises e desafios: a situação atual do assentamento Che, que se localizaem Itaberaí, Goiás. Tem trabalhos publicados em jornais e revistas, dentre eles enumeram-se os seguintes: Para além de se fechar a torneira: os discursos e a realidade sobre a água, Dominar o ser dominado, Cotidiano escolar: superação de desafios, O uso de trabalho de campo no ensino de Geografia.
Tomando-se por fonte o “curriculum vitae” dos novos Sócios Titulares da Academia Trindadense de Letras, Ciências e Artes, verificamos que Antônio
Erasmo de Queiroz Chaveiro, Eguimar Felício Chaveiro, Elton Rosa de Souza e Wildes Jesus Rodrigues guardam entre si traços comuns. Na história de vida de cada qual se vislumbra uma estreita ou até total vinculação com o município de Trindade. Todos eles já ofereceram ou oferecem parcela significativa de trabalho profissional ou voluntário em favor da cidade, em uma ou mais das seguintes searas laborais: jornalismo, rádio, propaganda e publicidade, computação, artes cênicas, artes visuais, música, magistério e pesquisa científica. Como denominador comum, em todos encontramos a juventude, o sangue novo que prenuncia pujança e vigor para a tomada de iniciativas promissoras.
Sabemos que uma Academia de Letras é uma casa de cultura na qual todos devem contribuir com a bagagem cultural, artística, literária ou científica de que é detentor. Essa é, aliás, a colaboração esperada de todos os confrades, pois uma Academia é acima de tudo o local onde se reúnem pessoas que, com desprendimento, produzem para a sociedade com vista ao aprimoramento das belas artes e das ciências. Ao contrário do que se possa imaginar, a Academia não é local onde se adquire status. Ao nela ingressar, aquele que chega já demonstrou, pelo menos, sua potencialidade intelectual. Como em toda instituição devotada à geração do conhecimento e disseminação da cultura, a Academia deverá, sobretudo, sobressair-se pelo trabalho oferecido e aberto à sociedade, que seja útil, eficiente, eficaz e inteligente.
Nosso Sócio Correspondente Antônio César Caldas Pinheiro, genealogista, presidente da Academia Itaberina de Letras, de modo lapidar sintetizou esta forma de pensar sobre a finalidade de uma Academia. “É uma ventura para nossos rincões o possuírem uma agremiação cultural onde a tradição e o culto do bom e do belo contribuem para o crescimento moral e intelectual da identidade de nossa terra e de nossa gente” (2009).
Considerada a bagagem cultural dos nossos novos e jovens confrades, honra e brilho desta solenidade, deles esperamos a contribuição firme, efetiva, honesta, apolítica, e desprovida de vaidades vãs, que carrearão para este sodalício, que tem uma história a contar, construída pela força do talento e do trabalho.
Esta Casa de Cultura marca-se, sobretudo, pelo desprendimento de sócios idealistas e empreendedores que a sustentam e a mantêm viva, e nela enxergam uma estrutura destinada ao aprimoramento dos valores intelectuais e espirituais mais lídimos de Trindade, de Goiás e da Pátria brasileira. Sejam bem-vindos!
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