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| Tristeza |
| Floriano Freitas Filho |
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Estou triste!
Alma ferida,
choro.
Lágrimas internas, que implodem,
não escorrem.
Conheci tua solidão,
dei-te a minha,
no desejo de encontro total
de nossas vidas.
Senti tua solidão na minha.
És tão distante como eu...nossos eus tão distantes,
na imensidão angustiante do nada.
Amo-te.
Mas como te amar?
Como amar a ausência,
o talvez,
o quem sabe,
o nunca mais?
Precisas ser amada,
tanto quanto eu,
ainda que não saibas.
Mas como?
Vives se abraçada, se encolhida, ferida,
com medos,
medo de ti, de nós,
de nós em nós.
Medo de te descobrires,
de te desvelares,
no levantar o tênue véu
de tuas alquimias.
Queres ser amada.
Quanta ironia!
E ainda queres ensinar-me a não te amar.
Quanta inocência,
quanta ousadia!
Teu silêncio fala de temores, apenas?
Vives em ti,
isolando-te em tua idolatria:
amante de ti mesma,
escondida,
recolhida,
no cultivar tuas quimeras.
Como és tola!
Buscas soluções no cultivo de teus problemas.
És perita na arte da burla,
em que és protagonista e platéia,
no palco e cenário
de tuas fantasias.
Buscas alimento em tua beleza,
em tua figura,
no jogo que te empenhas
para encobrir
tua imensa insegurança.
Enganas a todos, menos a ti,
no buscares,
na aventura
- onde sois o que pensas ser -
tua contínua idolatria:
a idolatria de teu corpo,
que se esvai em nada,
dia a dia.
És como o cão que gira e gira,
procurando morder a ponta de seu rabo.
Foges do amor,
pois amor é desvelar-te,
é sair de teu abrigo.
Que desperdício!
Eu te amo!
Como te amo!
Como é triste
te amar!
Estou triste, muito triste!
Mas...
Eu te amo, meu Deus!
Não posso deixar de te amar,
pois tu queres o amor,
precisas do amor,
precisas me amar,
como eu a ti.
Mas...
não se ama por uma só via.
Amor é vida,
são sentimentos que têm de ser sentidos
porque,
se não sentidos,
morre o amor,
numa só via.
Eu te amo meu amor,
mas...
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